Grandes epidemias e pandemias marcaram a história da humanidade, provocando surtos de doenças, causando uma quantidade enorme de vítimas. Desde a primeira grande pandemia mundial denominada Peste Negra, ocorrida no período de 1347 a 1351, onde morreram mais de ⅓ da população européia da época, até a epidemia de AIDS, com início nos anos 80 ao fim de 2019, segundo dados do UNAIDS¹, ocorreram mais de 32 milhões de mortes no mundo. 

Estes são acontecimentos que normalmente o governo e a sociedade não estão preparados para tratar. Provoca panico e medo na  população, pois trazem informações equivocadas, não científicas, baseadas em   falsos conceitos culturais e até religiosos, que reforçam atitudes de estigma, preconceito e discriminação, dificultando o enfrentamento da epidemia.

Neste  momento estamos vivendo uma nova pandemia, que, apesar dos vários avisos e recomendações feitas pela OMS e  cientistas do mundo, a resposta brasileira tem sido lenta e conflitante entre governo, pesquisadores e médicos.  A COVID-19 parou a economia, colocou em isolamento social  uma parte da população, mudou comportamentos e induziu todos a severas medidas sanitárias. Com isso, a população tem ficado cada vez mais cansada e insegura. Porém, apesar do descaso e de todos os equívocos do governo federal para contenção da mesma, paira no ar uma esperança de que as vacinas disponíveis para COVID -19 consigam controlar a pandemia, que já se aproxima, nessa semana, da trágica marca de 450 mil casos de óbitos²  e, assim,  salvar vidas. Contudo, essa mesma esperança confunde-se com a incerteza quanto ao caos político em que o país se encontra, no qual o governo age como se nada estivesse acontecendo, negando veementemente a ciência e comprometendo o futuro do país.  

Para nós, pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) o  processo de vacinação vem gerando dúvidas e expectativas mas também muita emoção e esperança de dias melhores. 

Confira os depoimentos de três Cidadãs PositHIVas:

Para a cidadã Nívea, a vacina representa VIDA:

Para mim, estar imunizada representa vida! Não tive COVID. Espero que toda população do Brasil seja imunizada urgentemente, já perdemos muita gente por negligência. Minha expectativa é que possamos voltar nossas vidas do cotidiano, muitas de nós estão à beira de uma depressão  e desenvolvendo outras doenças. Estou ansiosa para rever minha família em Roraima. Vejo que muitos de nós com muitas dificuldades, principalmente aquelas que não recebem nenhum tipo de ajuda financeira. A ajuda dos CRAS não é suficiente para o mês e o vírus da COVID ainda circula com muita intensidade, as pessoas não respeitam o distanciamento, uso de máscaras, etc…

Espero daqui pra frente que a humanidade possa se amar mais, ser solidários uns aos outros independente de cor, raça, religião e se respeitar, que é primordial para vivermos em união”.

Nívea Maria Queiroz de Pinho, indígena do povo Makuxi – Roraima, atualmente morando no Mato Grosso do Sul.

Para a cidadã Sandra ter sido vacinada representa SEGURANÇA:

“Me sinto mais tranquila, segura, protegida. Continuo com os cuidados de segurança. Apesar de ter tido sintomas leves (COVID19), como dor de cabeça e indisposição por uns dias, fiz o teste e deu negativo . Mas a minha infecto falou que sim, já que minha filha que mora comigo teve e testou positivo, com sintomas mais fortes. 

Espero poder retornar a nossa vida normal, poder sair sem sentir medo. Com certeza estamos vivenciando momentos muito triste e de insegurança, tanto na saúde, como economicamente, mental e psicológica”.

Sandra Lima – Rio Grande do Sul, atualmente residindo em Camboriú –  Santa Catarina

Para Nalva, a vacina é um ALÍVIO:

“Este momento que estamos é de muita tristeza. Muitos amigos estão morrendo por causa de uma má administração pública. Poderíamos estar melhor. Ter tomado a vacina da COVID – 19 para mim foi um grande alívio, a primeira dose, que emoção! Graças a Deus não tive COVID 19. Eu espero que todos do mundo sejam imunizados, minha expectativa é que todos tenham a consciência que a covid continua matando e temos que fazer nossa parte VACINA JÁ!” 

Nalva Andrade dos Anjos – Guarujá – São Paulo.

Fonte: 1 – https://unaids.org.br/estatisticas/.  

             2 –  https://covid.saude.gov.br/